quarta-feira, 27 de abril de 2011
raiva
tinha três anos e ia a pé para o jardim de infância. no caminho parava no café e adorava beber galão. lembro-me das visitas de estudo e do saco de verga que eu e o meu irmão partilhávamos. a fruta voltava sempre para casa. lembro-me dos primeiros dias de aulas, onde os meus pais nunca estavam presentes, o que me impedia de lhes apresentar a minha escola nova. com oito anos já ficava até à meia noite na rua, com os amigos mais velhos e não havia nada como os sábados de manhã. brinquei muito, diverti-me muito, trabalhei muito em criança. sei o que é passar privações e sei o que é a abastança. sei o que é nunca ter férias no verão, nem fins-de-semana fora. sei o que é chorar muito com as discussões dos pais, sei o que é sofrer pelo sofrimento dos outros, ver pessoas que amo aflitas e não saber o que fazer. trato a angústia por tu e a solidão é a nossa companheira. nunca soube o que é desabafar com ninguém. nos momentos duros só os sei viver sozinhos. não fui um adolescente normal, dado a vidas mundanas, descobrindo-as, curiosamente, bem mais tarde. o sabor do cigarro, ou da erva esquisita que os outros fumam e nos oferecem. a primeira bebdeira chegou quando já tinha idade para ter juízo e os prazeres da carne também. estudei. estudo. lutei. luto. consegui. consigo. já cometi muitos erros, já rejeitei boas propostas profissionais, tenho com 24 anos experiências que outros não conhecem. amigos. o melhor que há. a alegria de estar com um amigo que nos entende e aceita as nossas angústias. que sabe como nos levantar a moral. não sei quando chegará o fim terreno deste ser que cá chegou em 1986. já tenho alegrias, sofrimentos e responsabilidades (ou falta delas) que me permitem perceber que gosto muito disto ou que o melhor é desaparecer. que o melhor é apanhar um comboio e viver um "brave new world" ou ficar debaixo dele. cansa-me pessoas que não sabem viver, que não sabem amar, que não sabem perdoar. cansam-me.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
obrigado!
adoro a minha idade, mas há alturas em que não me importaria de ter já 60 anos. hoje é um desses dias. adorava, mas adorava mesmo poder ter vivido intensamente o 25 de abril. não consigo imaginar a alegria vivida por aqueles que viveram toda a sua vida num regime opressor, conhecerem o verdadeiro sabor da liberdade. não sei como reagiria, não faço ideia, acho que choraria muito, iria para a rua gritar, iria aprender a viver em liberdade.
na minha opinião, não se dá a devida atenção ao dia da liberdade. não só os jovens, mas também as pessoas de gerações anteriores, que se dizem traídas pelo que abril prometeu. sou de uma geração que não sabe o que é viver em ditadura, que sempre teve liberdade para fazer o que quis, que nunca foi proibido de criticar quem quer que fosse. agradeço a todos os que lutaram por estes direitos, a todos os que me permitem viver, a poder ter opção de escolha política, entre outros direitos que abril nos trouxe! não vivemos numa democracia perfeita, claro que não. há vários problemas que terão que ser corrigidos, mas como disse churchill "a democracia é o pior de todos os sistemas à excepção de todos os outros".
na minha opinião, não se dá a devida atenção ao dia da liberdade. não só os jovens, mas também as pessoas de gerações anteriores, que se dizem traídas pelo que abril prometeu. sou de uma geração que não sabe o que é viver em ditadura, que sempre teve liberdade para fazer o que quis, que nunca foi proibido de criticar quem quer que fosse. agradeço a todos os que lutaram por estes direitos, a todos os que me permitem viver, a poder ter opção de escolha política, entre outros direitos que abril nos trouxe! não vivemos numa democracia perfeita, claro que não. há vários problemas que terão que ser corrigidos, mas como disse churchill "a democracia é o pior de todos os sistemas à excepção de todos os outros".
terça-feira, 12 de abril de 2011
os reis
gosto de música, muito. é daquelas banalidades mas, embora não seja um melómano, é algo muito presente na minha vida. sem dúvida que sempre tive uma enorme paixão pela música de intervenção, as mensagens encapotadas, o aprender a ler nas entrelinhas. gostaria de ter vivido o apogeu de ary dos santos, um génio da poesia portuguesa. acredito na força das músicas. que a sua mensagem podem transformar-nos. jorge palma, deolinda, clã, david fonseca, sérgio godinho, ana moura, antónio variações, entre outros, são alguns das minhas preferências musicais. contudo, percebo que já perdi muitos anos de ouro da música mundial. há fenómenos que não entendemos, mas os queen foram, sem dúvida, os reis da música. como é que é possível, que passados tantos anos, alguém vá a um concerto de tributo a esta banda, e conheça as músicas de uma ponta à outra? não é para todos, não. é para os grandes.
estes vídeos mostram a grandeza da banda!
estes vídeos mostram a grandeza da banda!
quarta-feira, 23 de março de 2011
"agora ou nunca"
no congresso do cds, que se realizou no passado fim-de-semana, em viseu, paulo portas disse tudo: "é agora ou nunca".
a oposição tem consciência de que portugal estava no bom caminho, que depois do fmi não ter entrado em portugal, depois de uma execução orçamental brilhante, com um acordo extremamente favorável para portugal na zona euro e com as exportações portuguesas a darem cartas, pareciam reunidas as condições para sairmos desta situação extremamente difícil que estamos a atravessar.
a oposição, e sobretudo o psd, percebeu isso, então, a única forma de derrubar sócrates, seria inventar uma crise política, esquecendo o superior interesse de portugal.
ferreira leite disse, hoje, que o que se estava a discutir ali não era o pec e as suas medidas, o que estava ali em causa era quem as executava. o que ferreira leite disse é que as medidas apresentadas no pec iv eram as necessárias, mas que por virem de sócrates perdiam a sua credibilidade.
eu percebo a oposição. conhecem muito bem as potencialidades políticas de josé sócrates e que o melhor é afastá-lo o quanto antes, porque "é agora ou nunca".
passos coelho amedontrou-se perante a oposição interna e para não abrir uma crise interna, abriu uma crise política nacional que terá graves consequências para os portugueses.
cavaco diz que não teve tempo de intervir, ou seja, treze dias não lhe chegam para tomar uma posição, para falar aos portugueses, chamar os partidos, criar consenso. não lhe chegam porque não a quer. ele e o seu ar sonso, a sua atitude cínica, mostram que aquilo que ele diria ser - garante de estabilidade política - não passa de mera retórica. ele, que achava que o país não comportava uma segunda volta nas presidenciais, ajudou à festa, levando o país a novas eleições.
os portugueses não querem barulho nas ruas, não querem caravanas, não querem comícios, os portugueses querem políticos responsáveis, que defendam os portugueses e resolvam os problemas. todo este folclore vai ajudar a descredibilizar, ainda mais, a classe política. mas era "agora ou nunca". esta sofreguidão de poder vai sair-nos cara, mas o país pode esperar, o psd é que não!
a oposição tem consciência de que portugal estava no bom caminho, que depois do fmi não ter entrado em portugal, depois de uma execução orçamental brilhante, com um acordo extremamente favorável para portugal na zona euro e com as exportações portuguesas a darem cartas, pareciam reunidas as condições para sairmos desta situação extremamente difícil que estamos a atravessar.
a oposição, e sobretudo o psd, percebeu isso, então, a única forma de derrubar sócrates, seria inventar uma crise política, esquecendo o superior interesse de portugal.
ferreira leite disse, hoje, que o que se estava a discutir ali não era o pec e as suas medidas, o que estava ali em causa era quem as executava. o que ferreira leite disse é que as medidas apresentadas no pec iv eram as necessárias, mas que por virem de sócrates perdiam a sua credibilidade.
eu percebo a oposição. conhecem muito bem as potencialidades políticas de josé sócrates e que o melhor é afastá-lo o quanto antes, porque "é agora ou nunca".
passos coelho amedontrou-se perante a oposição interna e para não abrir uma crise interna, abriu uma crise política nacional que terá graves consequências para os portugueses.
cavaco diz que não teve tempo de intervir, ou seja, treze dias não lhe chegam para tomar uma posição, para falar aos portugueses, chamar os partidos, criar consenso. não lhe chegam porque não a quer. ele e o seu ar sonso, a sua atitude cínica, mostram que aquilo que ele diria ser - garante de estabilidade política - não passa de mera retórica. ele, que achava que o país não comportava uma segunda volta nas presidenciais, ajudou à festa, levando o país a novas eleições.
os portugueses não querem barulho nas ruas, não querem caravanas, não querem comícios, os portugueses querem políticos responsáveis, que defendam os portugueses e resolvam os problemas. todo este folclore vai ajudar a descredibilizar, ainda mais, a classe política. mas era "agora ou nunca". esta sofreguidão de poder vai sair-nos cara, mas o país pode esperar, o psd é que não!
terça-feira, 22 de março de 2011
terceira via
diz-se que os políticos não estão acima dos partidos, porque os políticos vão e vêm, enquanto os partidos permanecem iguais. percebo a ideia, mas repugno totalmente aquela lógica de de que os partidos devem manter-se iguais, fiéis à sua ideologia, não acompanhando a evolução dos tempos. olhe-se para o partido comunista, penso que dá para entender o que estou a dizer.
gosto de ser polémico, não me preocupando muito com as consequências.
sempre fui simpatizante do partido socialista, por uma variada ordem de razões, de ordem familiar, até aos meus 14/16 anos, depois de uma ordem mais racional, por o ps representar a esquerda, o campo ideológico que mais me preenche, mas o ps era o único partido que representava uma esquerda democrática, o que me levou a estar sempre mais próximo do ps.
sócrates veio mudar o ps e a forma de se fazer política em portugal, assim como a minha forma de olhar para a política. o primeiro político com uma ideia para o país. sabia o que queria, ao que vinha, enfrentou o défice deixado por santana lopes de uma forma brilhante e, pela primeira vez em 30 anos, o défice português esteve abaixo dos 3%, a economia começava a crescer a um bom ritmo e fez-se reformas importantíssimas neste nosso portugal, e as sondagens continuavam a dar uma larga vantagem ao ps, numas hipotéticas eleições. sim, antes de 2008, portugal estava no bom caminho. isto antes da crise económica e financeira internacional, aquilo que muitos gostam de ignorar.
sócrates representa a 3ª via, uma linha ideológica que ganhou uma forte expressão com tony blair, enquanto líder do "labour" e primeiro ministro inglês, mas bill clinton e gerard schroder também seguiram esta orientação ideológica. a 3ªa via, em poucas palavras, tenta conciliar o melhor de dois mundos, para os seus defensores, o melhor da direita e o melhor da esquerda. o título do meu blog refere-se a isso. eu sou um esquerdista e defendo uma sociedade mais livre, mais igualitária, mas ao mesmo tempo,considero que o estado não tem que ser assistencialista, deve procurar um estado que esteja presente quando necessário, mas que procure uma economia mais forte, longe de um estado totalitário ou minimalista. é preciso adequar o estado à conjuntura.
sócrates defendia isto e sócrates fez-me vibrar com a política (ainda faz) e decidi tornar-me militante socialista. não me arrependo de nada e estarei ao lado de sócrates até ao último momento.
o portugal democrático não conheceu primeiro ministro como sócrates. a história cá estará para lhe fazer justiça.
"realizo-me ao pagar as quotas do meu partido", esta frase foi dita por mário castrim. eu também me realizo, pelo menos enquanto sócrates estiver à frente dele.
gosto de ser polémico, não me preocupando muito com as consequências.
sempre fui simpatizante do partido socialista, por uma variada ordem de razões, de ordem familiar, até aos meus 14/16 anos, depois de uma ordem mais racional, por o ps representar a esquerda, o campo ideológico que mais me preenche, mas o ps era o único partido que representava uma esquerda democrática, o que me levou a estar sempre mais próximo do ps.
sócrates veio mudar o ps e a forma de se fazer política em portugal, assim como a minha forma de olhar para a política. o primeiro político com uma ideia para o país. sabia o que queria, ao que vinha, enfrentou o défice deixado por santana lopes de uma forma brilhante e, pela primeira vez em 30 anos, o défice português esteve abaixo dos 3%, a economia começava a crescer a um bom ritmo e fez-se reformas importantíssimas neste nosso portugal, e as sondagens continuavam a dar uma larga vantagem ao ps, numas hipotéticas eleições. sim, antes de 2008, portugal estava no bom caminho. isto antes da crise económica e financeira internacional, aquilo que muitos gostam de ignorar.
sócrates representa a 3ª via, uma linha ideológica que ganhou uma forte expressão com tony blair, enquanto líder do "labour" e primeiro ministro inglês, mas bill clinton e gerard schroder também seguiram esta orientação ideológica. a 3ªa via, em poucas palavras, tenta conciliar o melhor de dois mundos, para os seus defensores, o melhor da direita e o melhor da esquerda. o título do meu blog refere-se a isso. eu sou um esquerdista e defendo uma sociedade mais livre, mais igualitária, mas ao mesmo tempo,considero que o estado não tem que ser assistencialista, deve procurar um estado que esteja presente quando necessário, mas que procure uma economia mais forte, longe de um estado totalitário ou minimalista. é preciso adequar o estado à conjuntura.
sócrates defendia isto e sócrates fez-me vibrar com a política (ainda faz) e decidi tornar-me militante socialista. não me arrependo de nada e estarei ao lado de sócrates até ao último momento.
o portugal democrático não conheceu primeiro ministro como sócrates. a história cá estará para lhe fazer justiça.
"realizo-me ao pagar as quotas do meu partido", esta frase foi dita por mário castrim. eu também me realizo, pelo menos enquanto sócrates estiver à frente dele.
quarta-feira, 16 de março de 2011
fmi. cuidado, ele vem aí
a crise política está instalada e não me parece que tenha remédio. a cimeira europeia foi um sucesso e estava afastada a ideia de o fmi entrar em portugal (aquela que era a única forma de o psd chegar ao pote sem a abertura de uma crise política directa).
sócrates foi chamado por merkel a berlim, onde a chanceler teceu os louvores necessários, referiu que portugal estava no caminho certo para sair da crise, mas se sócrates queria que os outros países autorizassem a flexibilização do fundo de estabilidade europeu, teria que levar à cimeira europeia novas medidas de austeridade, que garantissem aquilo a que este governo se propôs, nomeadamente na redução do défice.
sócrates levou as medidas, conseguiu os resultados desejados na cimeira, mas não o deveria ter feito antes de apresentar as medidas aos portugueses.
contudo, esta não pode ser a desculpa para se abrir uma crise política, porque isso será catastrófico para os portugueses. não é só a mudança de governo e a hipotética chegada de passos coelho ao governo, com os relvas, marcos antónios e menezes atrás, é sobretudo a chegada imediata do fmi a portugal. aqueles que defendem a intervenção do fmi não têm noção do que dizem. haverá mais recessão, mais pobreza, cortes nos salários, retirada de 13º mês e subsídio de natal, entre muitas outras mudanças.
a oposição, com o psd à cabeça, não quer aprovar este novo pacote de medidas, para o ano de 2012 e 2013 (devem pensar que o défice nos próximos anos descia por obra e graça de deus), que são difíceis, nem diz quais seriam as medidas que tomariam, mas não terão dúvidas em aprovar as medidas que o fmi vier propor, que essas sim, vão doer, mas a sério e as taxas de juro continuarão altíssimas.
estar na política exige responsabilidade e a defesa dos superiores interesses dos cidadãos, não na defesa dos interesses pessoais e partidários. passos coelho não está disposto a aprovar estas medidas e sócrates já afirmou que, nesse cenário, deseja eleições antecipados e que se voltará a recandidatar.
era bom que este governo, que tem legitimidade, conseguisse chegar ao fim da legislatura. a economia e os portugueses agradecem. tenho a certeza que olhando os dois cenários, a maior parte dos portugueses preferia continuar este caminho difícil que tem sido trilhado por todos.
sócrates foi chamado por merkel a berlim, onde a chanceler teceu os louvores necessários, referiu que portugal estava no caminho certo para sair da crise, mas se sócrates queria que os outros países autorizassem a flexibilização do fundo de estabilidade europeu, teria que levar à cimeira europeia novas medidas de austeridade, que garantissem aquilo a que este governo se propôs, nomeadamente na redução do défice.
sócrates levou as medidas, conseguiu os resultados desejados na cimeira, mas não o deveria ter feito antes de apresentar as medidas aos portugueses.
contudo, esta não pode ser a desculpa para se abrir uma crise política, porque isso será catastrófico para os portugueses. não é só a mudança de governo e a hipotética chegada de passos coelho ao governo, com os relvas, marcos antónios e menezes atrás, é sobretudo a chegada imediata do fmi a portugal. aqueles que defendem a intervenção do fmi não têm noção do que dizem. haverá mais recessão, mais pobreza, cortes nos salários, retirada de 13º mês e subsídio de natal, entre muitas outras mudanças.
a oposição, com o psd à cabeça, não quer aprovar este novo pacote de medidas, para o ano de 2012 e 2013 (devem pensar que o défice nos próximos anos descia por obra e graça de deus), que são difíceis, nem diz quais seriam as medidas que tomariam, mas não terão dúvidas em aprovar as medidas que o fmi vier propor, que essas sim, vão doer, mas a sério e as taxas de juro continuarão altíssimas.
estar na política exige responsabilidade e a defesa dos superiores interesses dos cidadãos, não na defesa dos interesses pessoais e partidários. passos coelho não está disposto a aprovar estas medidas e sócrates já afirmou que, nesse cenário, deseja eleições antecipados e que se voltará a recandidatar.
era bom que este governo, que tem legitimidade, conseguisse chegar ao fim da legislatura. a economia e os portugueses agradecem. tenho a certeza que olhando os dois cenários, a maior parte dos portugueses preferia continuar este caminho difícil que tem sido trilhado por todos.
sábado, 12 de março de 2011
a manif..
não era para ir à manifestação da "geração à rasca", contudo, devido a uma série de razões - não políticas - acabei por descer a avenida.
não era para ir por várias razões. em primeiro lugar, considero que esta manifestação não vai ter nenhuma consequência na prática. depois iria estar a pactuar com uma lógica dos partidos da extrema esquerda que é o de dizer mal por dizer, não avançando com qualquer ideia e proposta, limitando-se a ser do contra. todos sabem o que não querem, mas ninguém parece entender o mundo em que vivemos. é pena.
apesar de tudo, gostei de sentir o povo na rua. nunca tinha estado numa manifestação e achei que é interessante este fenómeno de nos unirmos em prol de uma causa. a força da rua é enorme - olhem para o norte de áfrica.
sim, as coisas não estão fáceis, mas mais fácil é o discurso demagógico e irresponsável da maior parte das pessoas que lá estavam.
não era para ir por várias razões. em primeiro lugar, considero que esta manifestação não vai ter nenhuma consequência na prática. depois iria estar a pactuar com uma lógica dos partidos da extrema esquerda que é o de dizer mal por dizer, não avançando com qualquer ideia e proposta, limitando-se a ser do contra. todos sabem o que não querem, mas ninguém parece entender o mundo em que vivemos. é pena.
apesar de tudo, gostei de sentir o povo na rua. nunca tinha estado numa manifestação e achei que é interessante este fenómeno de nos unirmos em prol de uma causa. a força da rua é enorme - olhem para o norte de áfrica.
sim, as coisas não estão fáceis, mas mais fácil é o discurso demagógico e irresponsável da maior parte das pessoas que lá estavam.
sábado, 5 de março de 2011
carnaval
não tenho muitas memórias da minha infância. há quem diga que a nossa memória é selectiva, guardando apenas aquilo que nos marcou. então, poderei concluir que a minha infância me passou ao lado. esta conversa vem a propósito do carnaval e da ausência de memórias carnavalescas na minha infância. na minha memória não há fatos de pirata, nem de cowboy. não há memórias de desfiles, de máscaras, nem de balões de água. na minha memória dos carnavais passados há apenas o acordar cedo e ir ao jardim da aldeia ver o que os jovens levaram para lá, o que tinham conseguido roubar aos velhotes, as carroças, os vasos, os animais. algo muito peculiar, algo muito tradicional, algo muito nosso. apenas isto. talvez por isso não ligue ao carnaval e a disfarces. assim como não sinto necessidade de ir para a praia todos os verões, uma vez que, em criança só tive férias de praia um único verão.
para quem goste do carnaval, desejo-lhe bons disfarces, bons desfiles. eu irei procurar ir ao jardim da minha aldeia. chega-me.
para quem goste do carnaval, desejo-lhe bons disfarces, bons desfiles. eu irei procurar ir ao jardim da minha aldeia. chega-me.
quinta-feira, 3 de março de 2011
sócrates e merkel
mais um dia terrível para os grandes opositores a sócrates. a comunicação social passa a vida a anunciar que está próximo o fim do reino de sócrates, mas o anúncio do apocalipse nunca se realiza. é a vida. ninguém esconde que a situação é complicada, mas eu olho para a oposição e percebo a irresponsabilidade daquela gente, que não coloca o interesse nacional à frente dos interesses partidários. no entanto o psd começa a voltar à normalidade, com a oposição interna a revelar-se e a falar em "falta de consistência" de passos coelho, nas palavras de pacheco pereira e paulo rangel considera que "o psd não tem programa para a educação nem para a agricultura". enquanto isso, há quem faça o seu trabalho. sócrates. primeira redução efectiva na despesa nos últimos 15 anos. execução orçamental muito positiva. propõe-se a cumprir as metas do défice. aquilo que tem que ser feito. merkel sabe que o caminho é difícil e quis felicitar o seu trabalho, a sua coragem e as suas medidas dando-lhe o maior palco da europa. foi isso que ela fez. não sei o que se falou na reunião, provavelmente até serão notícias não muito animadoras para portugal quanto ao fundo de estabilização financeira, mas é óbvio para todos que sócrates está a fazer aquilo que tem que ser feito, tentando causar o menor dano na econoomia portuguesa.
merkel começa a perder o seu eleitorado, porque não querem que a alemanha continue a financiar o fundo de estabilização financeira, mas isso seria contrariar toda a lógica europeia, aquilo que os líderes europeus sempre quiseram. uma economia forte e solidária. resta a merkel ter a coragem suficiente e a europa conseguirá sair deste impasse.
merkel começa a perder o seu eleitorado, porque não querem que a alemanha continue a financiar o fundo de estabilização financeira, mas isso seria contrariar toda a lógica europeia, aquilo que os líderes europeus sempre quiseram. uma economia forte e solidária. resta a merkel ter a coragem suficiente e a europa conseguirá sair deste impasse.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
sporting
o sporting tem a história de um clube grande. apenas isso. história. infelizmente, a nível futebolístico é um clube mediano. não tem a força de outras tempos, não é equipa para vencer um campeonato, não consegue lutar pela champions e a maior parte dos seus jogadores titulares, que são os que têm menos responsabilidade no cartório, teriam que suar muito a sua camisola para poder jogar num braga, num guimarães ou no nacional. é uma equipa sem direcção, com directores desportivos que entram e saiem a cada mês, com presidentes incompetentes, sem um rumo traçado para a sua equipa.
contudo, embora tenha uma equipa fraca, o sporting poderia fazer mais. poderia ser uma equipa mais organizada e o seu treinador, a quem lhe foi prometido mundos e fundos, não tem arte nem engenho para aproveitar da melhor forma os valores de que dispõe.
espero que o sporting venha a ganhar a força de outros tempos, que saia das próximas eleições um presidente com um obectivo bem traçado e que possibilite que a equipa ganhe competições. isto é o que eu espero, embora saiba que o sporting terá muitas dificuldades para sair desta situação. espero que não tenha o mesmo destino da amadora ou do belenenses.
contudo, embora tenha uma equipa fraca, o sporting poderia fazer mais. poderia ser uma equipa mais organizada e o seu treinador, a quem lhe foi prometido mundos e fundos, não tem arte nem engenho para aproveitar da melhor forma os valores de que dispõe.
espero que o sporting venha a ganhar a força de outros tempos, que saia das próximas eleições um presidente com um obectivo bem traçado e que possibilite que a equipa ganhe competições. isto é o que eu espero, embora saiba que o sporting terá muitas dificuldades para sair desta situação. espero que não tenha o mesmo destino da amadora ou do belenenses.
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