sábado, 18 de dezembro de 2010

nós e os nórdicos!

li, recentemente, num artigo, que nos países nórdicos não se recorrem a serviços de empregadas domésticas. ficaram surpreendidos? eu fiquei, confesso. então não é, que aqueles ricalhaços lá do norte da europa, com o melhor nível de vida, não recorrem a umas horitas de mulheres-a-dias por semana e são eles que esfregam o chão, limpam o pó e lavam a louça. de que lhes serve então tanta qualidade de vida, se os pobres coitados é que têm que se preocupar com estes trabalhos que tanto nos repugnam. enfim. pelo que se lê, na noruega, suécia, dinamarca, os sapatos ficam à porta de casa, não há grande preocupação em engomar a roupa e, algo muito importante, nesses países todos trabalham para manter a casa bem asseada, algo impossível em portugal, onde se convencionou que o trabalho doméstico tem género, o feminino, claro.
para a próxima quando afirmarmos que gostaríamos de ser como os nórdico temos que ver, que afinal, aquilo que para nós é banalíssimo, para eles é um luxo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

o que me apetece dizer agora..

sempre achei que o erro era algo muito "maltratado". não ha contemplações para quem erra. isto tanto se assiste num círculo de amigos, entre os nossos pares, onde qualquer falha é levada ao extremo e se pode passar de bestial a besta, assim como nas elites que nos governam, que não têm pudor eu não dar oportunidade a quem falha. se uma empresa vai à falência, o empresário terá a sua carreira arruinada, dificilmente terá outra oportunidade. quantos excelentes actores se perderam, unicamente por terem falhado numa audição. futebolistas que poderiam ter sucesso, se aquele treino que fizeram naquele grande clube tivesse corrido bem. e depois as oportunidades perdem-se. sim, há casos de gente que não desiste, que realmente consegue o que quer. mas quando se erra, uma pessoa fica marcada.
não sou melhor nem pior que ninguém.. mas eu, que erro bastante, e julgo que todos o fazem, sempre achei isto uma estupidez. sempre acreditei que as pessoas são naturalmente boas, que não há quem erre propositadamente, sempre tive assim uma grande dose de contemplação. e até para comigo, felizmente, tenho essa capacidade. e pronto, quando erro e me atacam faço sempre aquele exercício de retrospecção. será que tenho sido um bom cidadão? será que gostava de ser diferente? de ser outra pessoa? chego à conclusão que com todos os erros, defeitos, gosto de mim na minha imperfeição.. e quem nunca errou que atire a primeira pedra.


P.S. vocês, sim, vocês que sabem quem são, sempre que precisarem eu cá estarei.. é assim, somos diferentes, felizmente..

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

OS amigos (com a ajuda da câncio)

as razões porque escolhemos os amigos são várias. pode ser por termos crescido juntos, gostarmos do mesmo clube, do mesmo cantor, dos mesmos livros e filmes, termos uma ideia sobre o mundo e as pessoas e as pessoas no mundo. por mais importante que tudo isto seja, nada chega para fundamentar isso de ter alguém em quem confiar e que confia em nós, alguém a quem sabemos que sempre poderemos recorrer e que, esperamos, nunca nos abandone.
não vejo grandes diferenças entre a amizade e o amor, amor de namorados. gostamos de estar com os amigos, temos necessidade de tar com eles, partilhar algrias, tristezas, angústias, fazer festas, ir de férias. há um momento no amor em que percebemos que amamos e o mesmo sucede na amizade. como no amor, há na amizade traições, altos e baixos, fins e recomeços, há desilusões e ilusões, despontamentos, quedas e deslumbramentos. mas estamos sempre a procurar motivos para a amizade, a redescobri-la, a valorizá-la.
com o tempo, há tendência de os amigos começarem a acertar sentimentos e escolhas, a moldarmo-nos reciprocamente. mas é nas características peculiares de cada um que mais nos sentimos fascinados.
existimos uns para os outros, e de outra maneira dificilmente faríamos sentido. é isso mesmo que fazemos com os que escolhemos e nos escolheram: um sentido. uma aventura.
Para todos vocês!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A despedida!

gosto do destino. não daquele destino a que estamos habituados a falar, de que temos a vida programada desde o nascimento. não. eu gosto é do destino do dia-a-dia, da imprevisibilidade dos acontecimentos, dos encontros. com isso somos frequentemente surpreendidos.
ao contrário desse destino, nunca achei piada às despedidas. não gosto do sentimento de ausência, de vazio, de fuga, do será que no voltaremos a ver?
o destino colocou no meu caminho uma GRANDE pessoa. uma grande humildade, uma enorme coragem, um enorme coração. ao entrar no mestrado conheci o danilo, que é brasileiro. decidiu trocar o conforto do lar para arriscar a sua sorte em portugal. trabalhava num restaurante, onde esfregava o chão e lavava a louça. à sexta e sábado lá estava nas aulas. não sei porque razão todos gostávamos do danilo. não sei se era pelas suas expressões, pelas suas piadas, se era mesmo por pena, daquele que abandonou tudo em troca de um sonho. as coisas não correram bem e o danilo acabou por "trancar" a matrícula. desde então nunca mais o tinha visto, embora a troca de sms fosse regular. no início da semana o danilo disse-me que ia voltar para o brasil, uma vez que, tinha conseguido emprego na sua área de formação. Ontem, farto do estudo, lembrei-me de lhe perguntar se queria ir beber café. fomos. e foi a última vez que tive com ele. provavelmente nunca mais o verei, mas depois este sentimento passará. o tempo cura tudo. ele estava triste porque não podia voltar ao penhascoso (ele que tanto gostou), mas estava muito contente por voltar a casa, para junto da família. eu fiquei triste. nunca mais ouvirei a sua voz dizendo "e ae valter?", ou dizendo, "cuidado com o seu cadarço".
despedimo-nos na estação de metro da baixa-chiado. emocionado, disse: "cumprimentos para seus pais, irmão, pedro e meninos" e como brasileiro que é disse-me "fique com deus". eu saí do metro, esperei que os olhos secassem e a voz deixasse de ficar trémula. respirei fundo e segui.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O primeiro..

só tive a oportunidade de conhecer uma bisavó. recordo-lhe a indumentária sempre preta, com o lenço na cabeça, que até hoje me impede de saber qual seria a cor do seu cabelo. andava sempre com bolachas nos bolsos das batas e recordo como aquilo me sabia bem, nos meus quatro/cinco anos, e tenho poucas mais recordações desta senhora.
lembro-me de quando morreu. lembro-me que estava num jantar que reunia benfiquistas, quando se soube a notícia. no dia seguinte, os cá de casa, foram para a terra da minha bisavó, onde o corpo era velado em casa. lembro-me que era proibido comer carne, que o nível de som não podia ser muito alto, porque seria uma vergonha se se ouvisse na rua o som da televisão ou do rádio, uma vez que, o corpo estava a ser velado na casa ao lado. os primos tinham que estar imóveis e serenos, apesar da curta idade.
lembro-me do choro da minha avó e do meu tio-avô, lembro-me da reunião dos vizinhos à porta de casa, do caixão a sair directamente do quarto para a rua, pela janela. lembro-me dos gritos. e lembro-me de ser o primeiro funeral a que fui, o primeiro em que me perguntaram se queria ir e lembro-me sobreudo que não conseguia partilhar daquele constrangimento, de alguém que até já era "velha". Ela, distante. Ela, acamada. Ela, que não vivia por perto. Ela, que era do meu sangue, mas com a qual eu não conseguia partilhar grandes sentimentos. Olho para trás, recordo-me dos gritos, do sofrimento e percebo que quando vamos a um funeral e dizemos "os nossos sentimentos", é isso mesmo, é o admitir de que não conseguimos sentir como eles, a família próxima, os amigos mais chegados. são só os "nossos sentimentos". Há esta inevitabilidade de nunca saber o que sofre quem está dentro do sofrimento, até que um dia chegue a nossa vez e aí talvez seja mais perceptível a dor alheia.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O MAIOR!

"Eu sou do tamanho do que vejo, não do tamanho da minha altura".

Faz hoje 75 anos aquele que é para mim um dos maiores portugueses de sempre. Não conheço, infelizmente, a fundo a sua obra, mas aquilo que conheço, denota a genialidade do maior poeta português de sempre. Muitos portugueses desconhecem o autor e a sua obra, não têm possibilidade de dar valor a Fernando Pessoa, que se transformou em ALberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e outros heterónimos (personagens ficcionadas)como Bernardo Soares.
Tem frases que são intemporais, que são verdadeiros guias espirituais de muitos, deslumbrantes!
Não vou falar muito, vou deixar um poema de álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa.



Não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu! Grande Pessoa.. Eu também invejo todos os mendigos!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Marinho Pinto!

Marinho Pinto está bem longe de ser uma figura consensual. Não conheço o seu trabalho enquanto líder da Ordem dos Advogados. Conheço-o apenas das suas intervenções públicas. E gosto do que vejo. Gosta da frontalidade. Da coragem. Da forma como expressa as suas convicções. Recentemente, numa das várias apresentações do seu mais recente livro, "Um combate desigual", Marinho Pinto, enquanto enunciava alguns dos "podres" da justiça portuguesa, recordou a falta de condições das prisões em Portugal, rematando com uma frase que para mim diz tudo, "estar preso é estar privado da liberdade, não da dignidade".
Quantos concordam? Quem acha que os presos devem ser bem tratados na prisão, que tenham as mínimas condições?
Ouvimos muitas vezes dizer que até é bom estar preso. Numa forma irónica diz-se que se tem cama, comida e roupa lavada. Num tom mais sério defendem Que os reclusos deviam ser punidos fisicamente. E, infelizmente, a pena de morte ainda é defendida por muita gente. Pena. Esquecemo-nos facilmente da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Direito à vida, à dignidade.. Respeitemos então! E sim, fazem falta mais pessoas como o Marinho Pinto, que pode não ter "spin doctors" com ele, pode não ter a figura mais telegénica, mas tem conteúdo, valores, ideias. Isso chega-me!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Roubo à caixa de comentários do ASPIRINA B!

O Valupi perguntava "Se Sócrates continuar a puxar sozinho pelas exportações nacionais, mantendo a actual dinâmica de crescimento, ainda assim deverá ir de cana após a reeleição de Cavaco?"

Um leitor, chamado Mário, decidiu comentar e respondeu isto:

"Eu não tenho filiação partidária e nunca tive. Vou avaliando o que se faz e voto em conformidade. Se vejo que a mudança de uma cor para a outra em nada vai adiantar, persisto em votar segundo a minha “sensibilidade”, que não faço a minima ideia porque nasceu cá dentro. Como não sei explicar porque sou adepto do FCP. Não sei porque vejo sempre do lado dos ricos e poderosos uma certa perversidade, apesar de estar fartinho de constatar que há «pobres» muitissimo mais sacanas que muitissimos ricos. Quantas vezes não dou comigo a pensar que aquela multidão de «explorados» que está em todas as manifestações se pode transformar, como que por magia, numa multidão de exploradores, caso lhe depositem nas mãos o poder. As ditaduras saídas do comunismo são o escarrapachado exemplo. É claro que a multidão não chega “lá” em bloco.
Isto tudo a propósito do post do Valupi. Olho para o José Sócrates e a sua luta abnegada e teimosa contra o marasmo e contra a crise. E contra a calunia e contra a arruaça e contra os justiceiros diabólicos e contra a ditadura da comunicação social, toda, inclusive a pública, a malhar impiedosamente. É um verdadeiro massacre e ele resiste. Teve de aparar os golpes mais violentos de quem com ele diz colaborar estrategicamente, o Cavaco. Tivesse ele acusado os murros no peito (e era do que o Cavaco tem estado à espera desde 2008) e o conflito institucional assim criado teria atirado Portugal para o abismo onde está a Grécia.
E não estamos no abismo, apesar de isso ser afirmado a toda a hora e em todos os meios de comunicação escrita, falada e da televisão. E não estamos graças ao empenho e determinação de um homem, desde 2005. É a minha convicção. A aposta ganha, nas exportações, aí está para me dar razão.
Na «mouche», Valupi."

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Rendimento Social de Inserção

É muito comum ir a um café, jardim público, em conversa de amigos, ouvir as pessoas dizerem que o que é necessário é acabar com o Rendimento Social de Inserção, conhecido como rendimento mínimo. Propor esta medida é não ter conhecimento da realidade. Acredito piamente que há muita gente a receber este apoio injustamente, há muita gente que não quer é fazer nenhum, há muita gente com uma mentalidade "subsidiodependista". Concordo. É necessária uma maior vigilância, um maior rigor, mas acabar com este apoio social seria acabar com o "estabilizador social" de que o Governo tem em mãos. Sim, há bairros nos subúrbios cheios de gente a receber este apoio. Sim, há comunidades ciganas cheias de pessoas a receber este subsídio, mas imaginem se elas não o recebessem.
Que país teríamos? Sim, possivelmente teríamos um país num grande reboliço, em que a taxa de criminalidade seria bem mais elevada, a segurança podia ser posta em causa, e aí, gostava de saber o que todos preferíamos. Acabar com o Rendimento Social de Inserção era uma fraude. Iria-se prejudicar pessoas que realmente precisam deste apoio social e iria-se colocar Portugal dentro de um barril de pólvora.

Errata

O PSD, como seria de esperar, começa a distanciar-se nas sondagens. Ao contrário do que tinha dito no último post.