quando passava os olhos por um artigo jornalístico, descobri que nos E.U.A., quando se vai a um restaurante, na conta já vem contabilizado um valor para as gorjetas. ou seja, aquilo que se costuma dar arbitrariamente, mediante a qualidade do serviço, é-nos impingido. falaram em liberalismo?
eu, que já passei muitas horas e dias da minha vida a vender pão, muito raramente me deram gorjeta. confesso, também nao as queria, mas isto para explicar uma coisa, qual a razão porque é bastante comum dar gorjeta a um empregado de restaurante, a um empregado de hotel, a um táxista e nao se dá gorjetas a um vendedor de pão, a um empregado de uma dependência das finanças? não faz o serviço com a mesma competência, os que nos levam a comida à mesa, como quem nos diz o valor que temos a pagar às finanças? porque carga de água é bastante comum dar gorjeta a um taxista e nunca vi ninguém dirigir-se a um motorista da carris para lhe dar uma moeda para um café. e ele não faz o mesmo percurso com a mesma segurança?
estas são questões que me inquietam, agradecia que me ajudassem a perceber, porque se decidiu começar a dar gorjetas a uns e não a todos..
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
o mundo dos sonhos..
há coisas muito difíceis de entender. não consigo, por mais que tente, me esforce, por mais que leia. a morte de carlos castro é um desses casos. desconhecia a existência de um renato seabra, o suposto homicida, e a figura de carlos castro não me fascinava, não me merecia grande respeito. e não, não vou, agora que ele faleceu, mudar de opinião, tecer louvores ao senhor, ou considerá-lo um deus. algo muito típico nos portugueses, que mudam facilmente a opinião que têm sobre os outros, sobretudo quando estes morrem.
renato seabra foi vítima do seu sonho. apenas isto. o jovem encontrou em carlos castro o trampolim para o seu sucesso no mundo da moda, fazendo para isso o sacrifício de ser namorado do cronista social. não acredito em amor. desculpem-me, mas não acredito. renato teve direito a férias em londres, madrid e foi até passar o ano a nova iorque, imaginem. e era só isso, fingir amar carlos castro.
quando se lê ou ouvem testemunhos de amigos, familiares, conhecidos a dizer que o jovem seria incapaz de tal acto, eu juro-vos que acredito nessas pessoas. acho mesmo que alguém minimamente normal, seria incapaz daquele acto. mas aquele rapaz mudou, já não é o amigo do basquete, o menino da catequese, o estudante do secundário. o renato quis o mundo, a fama e não aguentou a pressão. uma sexualidade mal resolvida. um amor falso. um mundo que não era o seu. mérito não lhe devemos tirar, conseguiu o que queria. fama. até na capa de jornais norte-americanos.
devolvam-no a cantanhede e voltarão a ter o mesmo renato. acreditem.
renato seabra foi vítima do seu sonho. apenas isto. o jovem encontrou em carlos castro o trampolim para o seu sucesso no mundo da moda, fazendo para isso o sacrifício de ser namorado do cronista social. não acredito em amor. desculpem-me, mas não acredito. renato teve direito a férias em londres, madrid e foi até passar o ano a nova iorque, imaginem. e era só isso, fingir amar carlos castro.
quando se lê ou ouvem testemunhos de amigos, familiares, conhecidos a dizer que o jovem seria incapaz de tal acto, eu juro-vos que acredito nessas pessoas. acho mesmo que alguém minimamente normal, seria incapaz daquele acto. mas aquele rapaz mudou, já não é o amigo do basquete, o menino da catequese, o estudante do secundário. o renato quis o mundo, a fama e não aguentou a pressão. uma sexualidade mal resolvida. um amor falso. um mundo que não era o seu. mérito não lhe devemos tirar, conseguiu o que queria. fama. até na capa de jornais norte-americanos.
devolvam-no a cantanhede e voltarão a ter o mesmo renato. acreditem.
domingo, 9 de janeiro de 2011
hoje apetece-me desmistificar. ajudam-me? partilhem..
naquele que é para mim o melhor blog português, com o melhor blogger nacional, o valupi, que muitos querem desmascarar, num simples post, alguém deixou um comentário brilhante, que acho urgente partilhar. eu vou publicar aqui no meu blog. o texto é longo, mas juro-vos, vale a pena.
Porque a memória é uma condição indispensável à nossa vida e também à própria vida política, pedia-vos, se possível, para recordarem aqui no Aspirina B a todos nós, em formato de notícias ou (desejavelmente) de imagens, várias passagens normalmente esquecidas pela nossa “suave” Comunicação Social da trajectória política de Cavaco Silva. Começamos pelo BPN, mas, para que não se diga que está tudo centrado nessa questão, há mais 12 recuerdos de Cavaco e sus muchachos, um por dia da campanha eleitoral que hoje se inicia (desculpem o testamento, mas aqui vai…):
- as notícias e imagens dos seus (não) esclarecimentos e/ou mesmo declarações incoerentes sobre o processo BPN, dizendo que não tinha dinheiro no BPN (afinal era na SLN), não explicando o contexto das mais valias de mais de 140% em dois anos (um economista que se vangloria da sua seriedade, experiência e conhecimento dos mercados entranhou e não estranhou esta… pseudo-lotaria?) e defendendo Dias Loureiro a todo o transe até ao limite do insustentável. Curiosamente e certamente apenas por mera coincidência, nos dias seguintes à demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado, a primeira página do Expresso abria com a notícia dos notáveis lucros das transacções das acções não cotadas de Cavaco na SLN… Enfim, todos nós precisaríamos certamente de nascer duas vezes para ter níveis de lucro assim; agora, pelo contrário, todos nós teremos certamente que trabalhar por dois para… pagar mais valias como estas de Cavaco e sus muchachos;
- as imagens da tristemente célebre declaração de Cavaco em Março de 2002 na Faculdade de Economia do Porto a propósito dos funcionários públicos “Como é que nos vemos livres deles? Reformá-los não resolve o problema, porque deixam de descontar para a Caixa Geral de Aposentações e, portanto, diminui também a receita do IRS. Só resta esperar que acabem por morrer”. Enfim, precisamos de ter em Belém alguém que, além de refinado humor e bom gosto, constitua um paladino do Estado Social…;
- as imagens da célebre declaração com que Cavaco deixou cair Fernando Nogueira nos dias finais da campanha do PSD em 1995, ou as notícias sobre as suas recusas em aparecer nos cartazes de campanha ao lado de ex-lideres do PSD em 2005 e em pagar parte das despesas de campanha de Freitas do Amaral após a derrota na segunda volta das Presidenciais de 1986. Enfim, necessitamos de alguém em Belém dotado de elevados princípios de solidariedade institucional com quem possamos contar nos momentos de dificuldade;
- da participação da Presidência da República de Cavaco Silva no famigerado processo das escutas, que, num País normal, exigiria pelo menos um inquérito sobre se foram ou não cometidos quaisquer tipos de crimes de responsabilidade de titulares de cargos político (esta lei prevê várias hipóteses – atentado contra Estado de Direito, coacção contra orgãos constitucionais, prevaricação, abuso de poderes, violação de segredo) e, a confirmar-se a intervenção do Presidente, a sua própria demissão. Sobre isto vale a pena ouvir um depoimento efectuado por Sarsfield de Cabral na altura na SIC Notícias – que, além de apoiante de muitos anos, já trabalhou directamente com Cavaco – onde afirmou que, na sua opinião, conhecendo bem Fernando Lima, este nunca faria nada sem orientações do Presidente. Enfim, precisamos de alguém em Belém rodeado por pessoas também elas eivadas de inatacável sentido de Estado e que nunca tenham recorrido a conspirações (em pastelarias da Avenida de Roma, ou noutro sítio qualquer) para pôr em causa a acção de outros órgãos constitucionais…;
- da forma lamentável como foi lançada e gerida, nos Governos de Cavaco Silva, a primeira Parceria Público Privado da Ponte Vasco da Gama (se alguém tem dúvidas sobre se isto é uma PPP leiam o livro ou ouçam as declarações do Juiz Conselheiro do Tribunal de Contas Carlos Moreno), processo que esteve na origem, aliás, do famoso bloqueio da Ponte 25 de Abril (os novos preços impostos na Ponte 25 de Abril resultavam do acordo de concessão; como os preços na Ponte 25 de Abril foram depois revistos em baixa, a Lusoponte teve que ser largamente compensada – a decisão foi anunciada pelo Ministro Ferreira do Amaral que, uns tempos mais tarde, passou a presidir à… Lusoponte). Enfim, precisamos de alguém em Belém que, de facto, conheça como poucos os enormes buracos das PPP…;
- o brutal buraco financeiro e a forma absolutamente inqualificável como foi conduzido pelos Governos de Cavaco Silva o processo de modernização da linha de caminho de ferro do Norte (várias centenas de milhões de contos – repito centenas de milhões de contos – com deslizamentos orçamentais e temporais impensáveis, para ganhos nulos nos tempos de percurso), originando um brutal desperdício de recursos públicos. Ou ainda, os vultuosos prémios contratuais atribuídos pelos Governos de Cavaco Silva a empreiteiros adjudicatários de diversas obras públicas para que as mesmas fossem concluídas em timings compatíveis, claro, com as eleições legislativas. Enfim, precisamos de alguém em Belém que, de facto, tenha experiência no combate contra os desperdícios das grandes obras públicas…;
- a forma como os Governos de Cavaco Silva não cumpriram por diversas vezes a Lei das Finanças Locais e abriram um buraco na Segurança Social ao não transferir as verbas estipuladas em termos legais. Enfim, necessitamos de alguém em Belém com apurado sentido institucional e que defenda como ninguém o Estado de Direito em Portugal;
- a entrevista ao Expresso de Miguel Cadilhe, Ministro das Finanças do primeiro Governo de Cavaco Silva, onde ele afirmava peremptoriamente que Cavaco foi o pai do “monstro” pelas implicações que teve o regime remuneratório da função pública (e sobretudo as múltiplas excepções criadas – fazendo praticamente com que, de facto, a excepção seja o regime… normal) aprovado pouco antes das legislativas de 1991… Recordo, também, o processo de negociação com os parceiros sociais dos aumentos salariais em 1991 (ano de eleições, pois claro) em que, tanto quanto me recordo, o Governo de Cavaco Silva propôs aumentos superiores aos propostos pela delegação da própria … CGTP… Enfim, é essencial termos alguém em Belém que, em nome de eleitoralismos fáceis, não tenha contribuído para onerar significativamente as próximas gerações, actuando sempre, pelo contrário, com a preocupação central da sustentabilidade futura do Estado Português;
- a forma caótica como foram geridos os fundos estruturais – em particular o FSE e o FEOGA – nos Governos de Cavaco Silva. Sobre o FSE há notícias várias e processos diversos no Tribunal. No Feoga, há certamente noticias e imagens, por exemplo, da visita com pompa e circunstância, de Cavaco à Odefruta, bem como aos seus elogios estusiásticos ao projecto protótipo de sucesso do milionário francês Thierry Roussel – projecto que permitiu a este último deitar a mão a um milhão de contos – 5 milhões de euros! – em fundos comunitários e ajudas do Estado português e “dar às de Vila Diogo” cerca de um ano depois…. Enfim, é fundamental elegermos alguém para Belém que a União Europeia reconheça como bom exemplo do rigor e qualidade na utilização dos recursos comunitários…;
- ainda a propósito do seu mítico rigor e competência recordo aqui também o famigerado “coeficiente de erro de Braga” (assim baptizado por Paulo Portas, sim, esse mesmo, então Director do Independente devido ao nome do Ministro das Finanças, Braga de Macedo, sim, esse mesmo), quando no fim de 1993 o Governo de Cavaco Silva atingiu um défice público elevadíssimo, cerca de três vezes superior ao que tinha estimado no inicio do ano (uma das principais razões desse catastrófico lapso de previsão terá sido provocado pela decisão da então Senhora Secretária de Estado do Orçamento – essa mesma, a também muito competente e rigorosa Manuela Ferreira Leite – de despedir contratados da DGCI, o que, associado a alterações legais, teve como brilhante resultado que nesse ano e a partir desse momento o Estado praticamente deixou de arrecadar o IVA). Enfim, é crucial ter alguém em Belém que tenha grande capacidade de previsão e rigor inatacável na gestão das contas públicas…;
- recordo também notícias da proposta de demissão de Cavaco Silva da Universidade, efectuada pelo Conselho de Reitores em 1985, por ter-se ausentado do serviço docente que lhe fora atribuído. Esta proposta não terá ido para a frente porque Deus Pinheiro, na altura ministro da Educação do Bloco Central, segundo essas notícias, lhe teria concedido licença sem vencimento sem que para isso tivesse qualquer competência. Enfim, precisamos de alguém em Belém que constitua um exemplo irrepreensível de profissionalismo para todos os portugueses…;
- lembro também as notícias sobre a falta de transparência e casuísmo que terão marcado os processos de privatizações e negociações de aquisições de bancos e seguradoras (recordam-se, da Tranquilidade ou do Totta / Banesto?), ou sobre a forma atabalhoada e pouco rigorosa como foi lançada e realizada nos Governos de Cavaco Silva a criação das universidades privadas (regra geral, sem a mínima garantia ou exigência de qualidade do ensino). Enfim, necessitamos de alguém em Belém que seja um exemplo de rigor, exigência e transparência nos processos de negociação e/ou interacção entre o Estado e os privados…;
- a propósito do controlo da comunicação social recordo também o Ministro do Governo de Cavaco que, segundo notícias da altura, combinava com o Director de Programas o alinhamento dos telejornais da RTP – pois, esses mesmos que agora rasgam as vestes pela asfixia democrática – o Marques Mendes e o José Eduardo Moniz. Recordo também as notícias sobre o processo de atribuição de licenças de rádios e televisões nos Governos de Cavaco Silva – e que fez com que parte relevante da comunicação social privada tenha, então (alguns desde então), ficado sob a dependência de grupos económicos mais ou menos sintonizados com os Governos de Cavaco Silva e sus muchachos (por exemplo, alguém já se esqueceu do afastamento da “incómoda” TSF das licenças nacionais?). Enfim, precisamos de alguém em Belém que tenha no seu curriculum um respeito exemplar pelo papel e pela isenção da comunicação social…;
Há mais, muito mais, para recordar e para acabar de vez com o mito construído pela Comunicação Social do homem providencial, um poço de virtudes, que raramente tem dúvidas e nunca se engana… Enfim, só a “suave” imprensa nacional não vê ou não quer ver que… Cavaco rima com… buraco… Recorrendo àquela máxima famosa da política brasileira – com o actual Governo Sócrates, chegamos à beira do abismo; com Cavaco (e sus muchachos) daremos certamente o passo em frente…
Porque a memória é uma condição indispensável à nossa vida e também à própria vida política, pedia-vos, se possível, para recordarem aqui no Aspirina B a todos nós, em formato de notícias ou (desejavelmente) de imagens, várias passagens normalmente esquecidas pela nossa “suave” Comunicação Social da trajectória política de Cavaco Silva. Começamos pelo BPN, mas, para que não se diga que está tudo centrado nessa questão, há mais 12 recuerdos de Cavaco e sus muchachos, um por dia da campanha eleitoral que hoje se inicia (desculpem o testamento, mas aqui vai…):
- as notícias e imagens dos seus (não) esclarecimentos e/ou mesmo declarações incoerentes sobre o processo BPN, dizendo que não tinha dinheiro no BPN (afinal era na SLN), não explicando o contexto das mais valias de mais de 140% em dois anos (um economista que se vangloria da sua seriedade, experiência e conhecimento dos mercados entranhou e não estranhou esta… pseudo-lotaria?) e defendendo Dias Loureiro a todo o transe até ao limite do insustentável. Curiosamente e certamente apenas por mera coincidência, nos dias seguintes à demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado, a primeira página do Expresso abria com a notícia dos notáveis lucros das transacções das acções não cotadas de Cavaco na SLN… Enfim, todos nós precisaríamos certamente de nascer duas vezes para ter níveis de lucro assim; agora, pelo contrário, todos nós teremos certamente que trabalhar por dois para… pagar mais valias como estas de Cavaco e sus muchachos;
- as imagens da tristemente célebre declaração de Cavaco em Março de 2002 na Faculdade de Economia do Porto a propósito dos funcionários públicos “Como é que nos vemos livres deles? Reformá-los não resolve o problema, porque deixam de descontar para a Caixa Geral de Aposentações e, portanto, diminui também a receita do IRS. Só resta esperar que acabem por morrer”. Enfim, precisamos de ter em Belém alguém que, além de refinado humor e bom gosto, constitua um paladino do Estado Social…;
- as imagens da célebre declaração com que Cavaco deixou cair Fernando Nogueira nos dias finais da campanha do PSD em 1995, ou as notícias sobre as suas recusas em aparecer nos cartazes de campanha ao lado de ex-lideres do PSD em 2005 e em pagar parte das despesas de campanha de Freitas do Amaral após a derrota na segunda volta das Presidenciais de 1986. Enfim, necessitamos de alguém em Belém dotado de elevados princípios de solidariedade institucional com quem possamos contar nos momentos de dificuldade;
- da participação da Presidência da República de Cavaco Silva no famigerado processo das escutas, que, num País normal, exigiria pelo menos um inquérito sobre se foram ou não cometidos quaisquer tipos de crimes de responsabilidade de titulares de cargos político (esta lei prevê várias hipóteses – atentado contra Estado de Direito, coacção contra orgãos constitucionais, prevaricação, abuso de poderes, violação de segredo) e, a confirmar-se a intervenção do Presidente, a sua própria demissão. Sobre isto vale a pena ouvir um depoimento efectuado por Sarsfield de Cabral na altura na SIC Notícias – que, além de apoiante de muitos anos, já trabalhou directamente com Cavaco – onde afirmou que, na sua opinião, conhecendo bem Fernando Lima, este nunca faria nada sem orientações do Presidente. Enfim, precisamos de alguém em Belém rodeado por pessoas também elas eivadas de inatacável sentido de Estado e que nunca tenham recorrido a conspirações (em pastelarias da Avenida de Roma, ou noutro sítio qualquer) para pôr em causa a acção de outros órgãos constitucionais…;
- da forma lamentável como foi lançada e gerida, nos Governos de Cavaco Silva, a primeira Parceria Público Privado da Ponte Vasco da Gama (se alguém tem dúvidas sobre se isto é uma PPP leiam o livro ou ouçam as declarações do Juiz Conselheiro do Tribunal de Contas Carlos Moreno), processo que esteve na origem, aliás, do famoso bloqueio da Ponte 25 de Abril (os novos preços impostos na Ponte 25 de Abril resultavam do acordo de concessão; como os preços na Ponte 25 de Abril foram depois revistos em baixa, a Lusoponte teve que ser largamente compensada – a decisão foi anunciada pelo Ministro Ferreira do Amaral que, uns tempos mais tarde, passou a presidir à… Lusoponte). Enfim, precisamos de alguém em Belém que, de facto, conheça como poucos os enormes buracos das PPP…;
- o brutal buraco financeiro e a forma absolutamente inqualificável como foi conduzido pelos Governos de Cavaco Silva o processo de modernização da linha de caminho de ferro do Norte (várias centenas de milhões de contos – repito centenas de milhões de contos – com deslizamentos orçamentais e temporais impensáveis, para ganhos nulos nos tempos de percurso), originando um brutal desperdício de recursos públicos. Ou ainda, os vultuosos prémios contratuais atribuídos pelos Governos de Cavaco Silva a empreiteiros adjudicatários de diversas obras públicas para que as mesmas fossem concluídas em timings compatíveis, claro, com as eleições legislativas. Enfim, precisamos de alguém em Belém que, de facto, tenha experiência no combate contra os desperdícios das grandes obras públicas…;
- a forma como os Governos de Cavaco Silva não cumpriram por diversas vezes a Lei das Finanças Locais e abriram um buraco na Segurança Social ao não transferir as verbas estipuladas em termos legais. Enfim, necessitamos de alguém em Belém com apurado sentido institucional e que defenda como ninguém o Estado de Direito em Portugal;
- a entrevista ao Expresso de Miguel Cadilhe, Ministro das Finanças do primeiro Governo de Cavaco Silva, onde ele afirmava peremptoriamente que Cavaco foi o pai do “monstro” pelas implicações que teve o regime remuneratório da função pública (e sobretudo as múltiplas excepções criadas – fazendo praticamente com que, de facto, a excepção seja o regime… normal) aprovado pouco antes das legislativas de 1991… Recordo, também, o processo de negociação com os parceiros sociais dos aumentos salariais em 1991 (ano de eleições, pois claro) em que, tanto quanto me recordo, o Governo de Cavaco Silva propôs aumentos superiores aos propostos pela delegação da própria … CGTP… Enfim, é essencial termos alguém em Belém que, em nome de eleitoralismos fáceis, não tenha contribuído para onerar significativamente as próximas gerações, actuando sempre, pelo contrário, com a preocupação central da sustentabilidade futura do Estado Português;
- a forma caótica como foram geridos os fundos estruturais – em particular o FSE e o FEOGA – nos Governos de Cavaco Silva. Sobre o FSE há notícias várias e processos diversos no Tribunal. No Feoga, há certamente noticias e imagens, por exemplo, da visita com pompa e circunstância, de Cavaco à Odefruta, bem como aos seus elogios estusiásticos ao projecto protótipo de sucesso do milionário francês Thierry Roussel – projecto que permitiu a este último deitar a mão a um milhão de contos – 5 milhões de euros! – em fundos comunitários e ajudas do Estado português e “dar às de Vila Diogo” cerca de um ano depois…. Enfim, é fundamental elegermos alguém para Belém que a União Europeia reconheça como bom exemplo do rigor e qualidade na utilização dos recursos comunitários…;
- ainda a propósito do seu mítico rigor e competência recordo aqui também o famigerado “coeficiente de erro de Braga” (assim baptizado por Paulo Portas, sim, esse mesmo, então Director do Independente devido ao nome do Ministro das Finanças, Braga de Macedo, sim, esse mesmo), quando no fim de 1993 o Governo de Cavaco Silva atingiu um défice público elevadíssimo, cerca de três vezes superior ao que tinha estimado no inicio do ano (uma das principais razões desse catastrófico lapso de previsão terá sido provocado pela decisão da então Senhora Secretária de Estado do Orçamento – essa mesma, a também muito competente e rigorosa Manuela Ferreira Leite – de despedir contratados da DGCI, o que, associado a alterações legais, teve como brilhante resultado que nesse ano e a partir desse momento o Estado praticamente deixou de arrecadar o IVA). Enfim, é crucial ter alguém em Belém que tenha grande capacidade de previsão e rigor inatacável na gestão das contas públicas…;
- recordo também notícias da proposta de demissão de Cavaco Silva da Universidade, efectuada pelo Conselho de Reitores em 1985, por ter-se ausentado do serviço docente que lhe fora atribuído. Esta proposta não terá ido para a frente porque Deus Pinheiro, na altura ministro da Educação do Bloco Central, segundo essas notícias, lhe teria concedido licença sem vencimento sem que para isso tivesse qualquer competência. Enfim, precisamos de alguém em Belém que constitua um exemplo irrepreensível de profissionalismo para todos os portugueses…;
- lembro também as notícias sobre a falta de transparência e casuísmo que terão marcado os processos de privatizações e negociações de aquisições de bancos e seguradoras (recordam-se, da Tranquilidade ou do Totta / Banesto?), ou sobre a forma atabalhoada e pouco rigorosa como foi lançada e realizada nos Governos de Cavaco Silva a criação das universidades privadas (regra geral, sem a mínima garantia ou exigência de qualidade do ensino). Enfim, necessitamos de alguém em Belém que seja um exemplo de rigor, exigência e transparência nos processos de negociação e/ou interacção entre o Estado e os privados…;
- a propósito do controlo da comunicação social recordo também o Ministro do Governo de Cavaco que, segundo notícias da altura, combinava com o Director de Programas o alinhamento dos telejornais da RTP – pois, esses mesmos que agora rasgam as vestes pela asfixia democrática – o Marques Mendes e o José Eduardo Moniz. Recordo também as notícias sobre o processo de atribuição de licenças de rádios e televisões nos Governos de Cavaco Silva – e que fez com que parte relevante da comunicação social privada tenha, então (alguns desde então), ficado sob a dependência de grupos económicos mais ou menos sintonizados com os Governos de Cavaco Silva e sus muchachos (por exemplo, alguém já se esqueceu do afastamento da “incómoda” TSF das licenças nacionais?). Enfim, precisamos de alguém em Belém que tenha no seu curriculum um respeito exemplar pelo papel e pela isenção da comunicação social…;
Há mais, muito mais, para recordar e para acabar de vez com o mito construído pela Comunicação Social do homem providencial, um poço de virtudes, que raramente tem dúvidas e nunca se engana… Enfim, só a “suave” imprensa nacional não vê ou não quer ver que… Cavaco rima com… buraco… Recorrendo àquela máxima famosa da política brasileira – com o actual Governo Sócrates, chegamos à beira do abismo; com Cavaco (e sus muchachos) daremos certamente o passo em frente…
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
ajudem-me, pff
já que não há jornalistas com tomates neste nosso país à beira-mar plantado, venho aqui pedir urgentemente que alguém me explique o caso das supostas suspeitas de que o Governo liderado por Sócrates, andava a espiar a presidência da República. afinal, havia ou não escutas? afinal foi ou não a presidência da república que lançou as suspeitas? se, eventualmente, não foi a presidência da república que lançou essas suspeitas, qual a razão porque não desmentiu a notícia logo que ela saiu? expliquem-me, por favor. ou não se fala nisto porque não convém ao jornalismo, sempre adoradores da figura de sua excelência. não entendo tanta perseguição a uns e tão pouca a outros. já do caso BPN, tanto que há para explicar..
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
ano novo..
costumam-se fazer balanços nesta altura. penso que são neessários, mas a vida é um contínuo e não fazem sentido as, normais, resoluções de fim de ano, em que se prometem mudanças, vidas novas. passa o ano. dia 1 estamos iguais. sempre assim. mas apetece-me falar deste ano. embora tenha sido o ano mais duro e exigente da minha vida, foi o ano mais importante. assumi responsabilidades, soube valorizar o sofrimento, a dor, aprendi a gerir emoções, aprendi que somos bem mais fortes do que pensamos e aprendi a valorizar o que, e quem, interessa valorizar. uma pessoa diferente. felizmente. nos meus pensamentos recentes tenho reflectido sobre a vida que tenho levado, as atitudes tomadas, as decisões, as escolhas, o rumo que decidimos levar e penso, acho que me posso orgulhar, acho que quando chegar aos 30/40 anos, posso olhar para trás e pensar que efectivamente, bem ou mal, dei a cara, lutei, não tive uma vida de facilidades, uma vida entediante e isso orgulha-me. bem ou mal. bem ou mal. bem ou mal. cresci com o erro. cresci com a dor. aproveito os fracassos para dar um passo em frente, para me valorizar. e gosto disto, felizmente.
agora resta-me desejar que o próximo ano continue a ser um ano de crescimento e de consolidação. consolidação pessoal e sobretudo de amizades.
agora resta-me desejar que o próximo ano continue a ser um ano de crescimento e de consolidação. consolidação pessoal e sobretudo de amizades.
sábado, 18 de dezembro de 2010
nós e os nórdicos!
li, recentemente, num artigo, que nos países nórdicos não se recorrem a serviços de empregadas domésticas. ficaram surpreendidos? eu fiquei, confesso. então não é, que aqueles ricalhaços lá do norte da europa, com o melhor nível de vida, não recorrem a umas horitas de mulheres-a-dias por semana e são eles que esfregam o chão, limpam o pó e lavam a louça. de que lhes serve então tanta qualidade de vida, se os pobres coitados é que têm que se preocupar com estes trabalhos que tanto nos repugnam. enfim. pelo que se lê, na noruega, suécia, dinamarca, os sapatos ficam à porta de casa, não há grande preocupação em engomar a roupa e, algo muito importante, nesses países todos trabalham para manter a casa bem asseada, algo impossível em portugal, onde se convencionou que o trabalho doméstico tem género, o feminino, claro.
para a próxima quando afirmarmos que gostaríamos de ser como os nórdico temos que ver, que afinal, aquilo que para nós é banalíssimo, para eles é um luxo.
para a próxima quando afirmarmos que gostaríamos de ser como os nórdico temos que ver, que afinal, aquilo que para nós é banalíssimo, para eles é um luxo.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
o que me apetece dizer agora..
sempre achei que o erro era algo muito "maltratado". não ha contemplações para quem erra. isto tanto se assiste num círculo de amigos, entre os nossos pares, onde qualquer falha é levada ao extremo e se pode passar de bestial a besta, assim como nas elites que nos governam, que não têm pudor eu não dar oportunidade a quem falha. se uma empresa vai à falência, o empresário terá a sua carreira arruinada, dificilmente terá outra oportunidade. quantos excelentes actores se perderam, unicamente por terem falhado numa audição. futebolistas que poderiam ter sucesso, se aquele treino que fizeram naquele grande clube tivesse corrido bem. e depois as oportunidades perdem-se. sim, há casos de gente que não desiste, que realmente consegue o que quer. mas quando se erra, uma pessoa fica marcada.
não sou melhor nem pior que ninguém.. mas eu, que erro bastante, e julgo que todos o fazem, sempre achei isto uma estupidez. sempre acreditei que as pessoas são naturalmente boas, que não há quem erre propositadamente, sempre tive assim uma grande dose de contemplação. e até para comigo, felizmente, tenho essa capacidade. e pronto, quando erro e me atacam faço sempre aquele exercício de retrospecção. será que tenho sido um bom cidadão? será que gostava de ser diferente? de ser outra pessoa? chego à conclusão que com todos os erros, defeitos, gosto de mim na minha imperfeição.. e quem nunca errou que atire a primeira pedra.
P.S. vocês, sim, vocês que sabem quem são, sempre que precisarem eu cá estarei.. é assim, somos diferentes, felizmente..
não sou melhor nem pior que ninguém.. mas eu, que erro bastante, e julgo que todos o fazem, sempre achei isto uma estupidez. sempre acreditei que as pessoas são naturalmente boas, que não há quem erre propositadamente, sempre tive assim uma grande dose de contemplação. e até para comigo, felizmente, tenho essa capacidade. e pronto, quando erro e me atacam faço sempre aquele exercício de retrospecção. será que tenho sido um bom cidadão? será que gostava de ser diferente? de ser outra pessoa? chego à conclusão que com todos os erros, defeitos, gosto de mim na minha imperfeição.. e quem nunca errou que atire a primeira pedra.
P.S. vocês, sim, vocês que sabem quem são, sempre que precisarem eu cá estarei.. é assim, somos diferentes, felizmente..
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
OS amigos (com a ajuda da câncio)
as razões porque escolhemos os amigos são várias. pode ser por termos crescido juntos, gostarmos do mesmo clube, do mesmo cantor, dos mesmos livros e filmes, termos uma ideia sobre o mundo e as pessoas e as pessoas no mundo. por mais importante que tudo isto seja, nada chega para fundamentar isso de ter alguém em quem confiar e que confia em nós, alguém a quem sabemos que sempre poderemos recorrer e que, esperamos, nunca nos abandone.
não vejo grandes diferenças entre a amizade e o amor, amor de namorados. gostamos de estar com os amigos, temos necessidade de tar com eles, partilhar algrias, tristezas, angústias, fazer festas, ir de férias. há um momento no amor em que percebemos que amamos e o mesmo sucede na amizade. como no amor, há na amizade traições, altos e baixos, fins e recomeços, há desilusões e ilusões, despontamentos, quedas e deslumbramentos. mas estamos sempre a procurar motivos para a amizade, a redescobri-la, a valorizá-la.
com o tempo, há tendência de os amigos começarem a acertar sentimentos e escolhas, a moldarmo-nos reciprocamente. mas é nas características peculiares de cada um que mais nos sentimos fascinados.
existimos uns para os outros, e de outra maneira dificilmente faríamos sentido. é isso mesmo que fazemos com os que escolhemos e nos escolheram: um sentido. uma aventura.
Para todos vocês!
não vejo grandes diferenças entre a amizade e o amor, amor de namorados. gostamos de estar com os amigos, temos necessidade de tar com eles, partilhar algrias, tristezas, angústias, fazer festas, ir de férias. há um momento no amor em que percebemos que amamos e o mesmo sucede na amizade. como no amor, há na amizade traições, altos e baixos, fins e recomeços, há desilusões e ilusões, despontamentos, quedas e deslumbramentos. mas estamos sempre a procurar motivos para a amizade, a redescobri-la, a valorizá-la.
com o tempo, há tendência de os amigos começarem a acertar sentimentos e escolhas, a moldarmo-nos reciprocamente. mas é nas características peculiares de cada um que mais nos sentimos fascinados.
existimos uns para os outros, e de outra maneira dificilmente faríamos sentido. é isso mesmo que fazemos com os que escolhemos e nos escolheram: um sentido. uma aventura.
Para todos vocês!
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
A despedida!
gosto do destino. não daquele destino a que estamos habituados a falar, de que temos a vida programada desde o nascimento. não. eu gosto é do destino do dia-a-dia, da imprevisibilidade dos acontecimentos, dos encontros. com isso somos frequentemente surpreendidos.
ao contrário desse destino, nunca achei piada às despedidas. não gosto do sentimento de ausência, de vazio, de fuga, do será que no voltaremos a ver?
o destino colocou no meu caminho uma GRANDE pessoa. uma grande humildade, uma enorme coragem, um enorme coração. ao entrar no mestrado conheci o danilo, que é brasileiro. decidiu trocar o conforto do lar para arriscar a sua sorte em portugal. trabalhava num restaurante, onde esfregava o chão e lavava a louça. à sexta e sábado lá estava nas aulas. não sei porque razão todos gostávamos do danilo. não sei se era pelas suas expressões, pelas suas piadas, se era mesmo por pena, daquele que abandonou tudo em troca de um sonho. as coisas não correram bem e o danilo acabou por "trancar" a matrícula. desde então nunca mais o tinha visto, embora a troca de sms fosse regular. no início da semana o danilo disse-me que ia voltar para o brasil, uma vez que, tinha conseguido emprego na sua área de formação. Ontem, farto do estudo, lembrei-me de lhe perguntar se queria ir beber café. fomos. e foi a última vez que tive com ele. provavelmente nunca mais o verei, mas depois este sentimento passará. o tempo cura tudo. ele estava triste porque não podia voltar ao penhascoso (ele que tanto gostou), mas estava muito contente por voltar a casa, para junto da família. eu fiquei triste. nunca mais ouvirei a sua voz dizendo "e ae valter?", ou dizendo, "cuidado com o seu cadarço".
despedimo-nos na estação de metro da baixa-chiado. emocionado, disse: "cumprimentos para seus pais, irmão, pedro e meninos" e como brasileiro que é disse-me "fique com deus". eu saí do metro, esperei que os olhos secassem e a voz deixasse de ficar trémula. respirei fundo e segui.
ao contrário desse destino, nunca achei piada às despedidas. não gosto do sentimento de ausência, de vazio, de fuga, do será que no voltaremos a ver?
o destino colocou no meu caminho uma GRANDE pessoa. uma grande humildade, uma enorme coragem, um enorme coração. ao entrar no mestrado conheci o danilo, que é brasileiro. decidiu trocar o conforto do lar para arriscar a sua sorte em portugal. trabalhava num restaurante, onde esfregava o chão e lavava a louça. à sexta e sábado lá estava nas aulas. não sei porque razão todos gostávamos do danilo. não sei se era pelas suas expressões, pelas suas piadas, se era mesmo por pena, daquele que abandonou tudo em troca de um sonho. as coisas não correram bem e o danilo acabou por "trancar" a matrícula. desde então nunca mais o tinha visto, embora a troca de sms fosse regular. no início da semana o danilo disse-me que ia voltar para o brasil, uma vez que, tinha conseguido emprego na sua área de formação. Ontem, farto do estudo, lembrei-me de lhe perguntar se queria ir beber café. fomos. e foi a última vez que tive com ele. provavelmente nunca mais o verei, mas depois este sentimento passará. o tempo cura tudo. ele estava triste porque não podia voltar ao penhascoso (ele que tanto gostou), mas estava muito contente por voltar a casa, para junto da família. eu fiquei triste. nunca mais ouvirei a sua voz dizendo "e ae valter?", ou dizendo, "cuidado com o seu cadarço".
despedimo-nos na estação de metro da baixa-chiado. emocionado, disse: "cumprimentos para seus pais, irmão, pedro e meninos" e como brasileiro que é disse-me "fique com deus". eu saí do metro, esperei que os olhos secassem e a voz deixasse de ficar trémula. respirei fundo e segui.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
O primeiro..
só tive a oportunidade de conhecer uma bisavó. recordo-lhe a indumentária sempre preta, com o lenço na cabeça, que até hoje me impede de saber qual seria a cor do seu cabelo. andava sempre com bolachas nos bolsos das batas e recordo como aquilo me sabia bem, nos meus quatro/cinco anos, e tenho poucas mais recordações desta senhora.
lembro-me de quando morreu. lembro-me que estava num jantar que reunia benfiquistas, quando se soube a notícia. no dia seguinte, os cá de casa, foram para a terra da minha bisavó, onde o corpo era velado em casa. lembro-me que era proibido comer carne, que o nível de som não podia ser muito alto, porque seria uma vergonha se se ouvisse na rua o som da televisão ou do rádio, uma vez que, o corpo estava a ser velado na casa ao lado. os primos tinham que estar imóveis e serenos, apesar da curta idade.
lembro-me do choro da minha avó e do meu tio-avô, lembro-me da reunião dos vizinhos à porta de casa, do caixão a sair directamente do quarto para a rua, pela janela. lembro-me dos gritos. e lembro-me de ser o primeiro funeral a que fui, o primeiro em que me perguntaram se queria ir e lembro-me sobreudo que não conseguia partilhar daquele constrangimento, de alguém que até já era "velha". Ela, distante. Ela, acamada. Ela, que não vivia por perto. Ela, que era do meu sangue, mas com a qual eu não conseguia partilhar grandes sentimentos. Olho para trás, recordo-me dos gritos, do sofrimento e percebo que quando vamos a um funeral e dizemos "os nossos sentimentos", é isso mesmo, é o admitir de que não conseguimos sentir como eles, a família próxima, os amigos mais chegados. são só os "nossos sentimentos". Há esta inevitabilidade de nunca saber o que sofre quem está dentro do sofrimento, até que um dia chegue a nossa vez e aí talvez seja mais perceptível a dor alheia.
lembro-me de quando morreu. lembro-me que estava num jantar que reunia benfiquistas, quando se soube a notícia. no dia seguinte, os cá de casa, foram para a terra da minha bisavó, onde o corpo era velado em casa. lembro-me que era proibido comer carne, que o nível de som não podia ser muito alto, porque seria uma vergonha se se ouvisse na rua o som da televisão ou do rádio, uma vez que, o corpo estava a ser velado na casa ao lado. os primos tinham que estar imóveis e serenos, apesar da curta idade.
lembro-me do choro da minha avó e do meu tio-avô, lembro-me da reunião dos vizinhos à porta de casa, do caixão a sair directamente do quarto para a rua, pela janela. lembro-me dos gritos. e lembro-me de ser o primeiro funeral a que fui, o primeiro em que me perguntaram se queria ir e lembro-me sobreudo que não conseguia partilhar daquele constrangimento, de alguém que até já era "velha". Ela, distante. Ela, acamada. Ela, que não vivia por perto. Ela, que era do meu sangue, mas com a qual eu não conseguia partilhar grandes sentimentos. Olho para trás, recordo-me dos gritos, do sofrimento e percebo que quando vamos a um funeral e dizemos "os nossos sentimentos", é isso mesmo, é o admitir de que não conseguimos sentir como eles, a família próxima, os amigos mais chegados. são só os "nossos sentimentos". Há esta inevitabilidade de nunca saber o que sofre quem está dentro do sofrimento, até que um dia chegue a nossa vez e aí talvez seja mais perceptível a dor alheia.
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